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sábado, 27 de setembro de 2008


Um Jumentinho na Avenida: A missão da Igreja na Ótica de um pastor Urbano
Numa cidade moderna do século XXI, em face das mudanças psicológicas, sociológicas, tecnológicas e culturais por que passa a nossa época, qualquer pastor, com a sua teologia bíblica e sua experiência mística, mostra-se tão anacrônico[1] quanto um jumentinho na avenida. Ele trafega calmamente, ruminando as suas limitações pessoais, arrastando uma carroça (chamada igreja) cheia de objetos velhos e móveis usados, em meio à velocidade e ao barulho de motocicletas, automóveis, ônibus e caminhões.Fiel e preciso, ele repete as atividades dos jumentos de todos os tempos. O que carrega na carroça interessa a muito pouca gente, mas o seu anúncio anacrônico é triunfalista. Ele expõedados estatísticos ultrapassados e pesquisas desusadas para convencer o homem da cidade de que nada existe de melhor no mundo do que ser jumento e nada mais vital e atual do que uma carroça.Sua visão da cidade e do século é propositadamente limitada e pessimista. Com suas viseiras bem ajustadas, ele insiste em afirmar que o burburinho e a agitação da cidade o impedem de trafegar e que os modernos automóveis à sua volta é que são os grandes problemas da avenida. E vai criticando as pessoas que não querem voltar às soluções “asnais” e “carroçáveis”.Este artigo é justamente a reflexão de um “jumentinho na avenida” que tenta tirar as viseiras, mas em perder a identidade. Se ele não pretende embarcar na onda de pessimismo nostálgico dos companheiros, também não pretende esconder, num esforço visível, as suas orelhas de asno. Deseja apenas encontrar o seu lugar na complexidade do século em que vive.À medida que tira a tala que limita o seu olhar, o jumentinho começa a observar, a inquietar-se, incomodar-se a perguntar... E, começa a observar, a inquietar-se e incomodar os outros. Percebe que tem mais perguntas do que respostas, mais perplexidades do que soluções. Trafega dialeticamnete. Empurra e é empurrado, atrapalha e é atrapalhado, provoca e é provocado na complexa realidade da avenida.De repente ele começa a perceber qeu a cidade não é feita só de avenidas e que ela abriga também outros jumentos que puxam outras carroças não eclesiásticas. Então deixando a avenida e rumando pelos caminhos, ruelas, vias de chão batido apinhadas de barracos, casebres, favelas, seu interesse vai aumentando e ele começa a descobrir que os inúteis trastes de sua carroça são objetos preciosos para uma massa pobre que constitui, para surpresa sua, a imensa maioria de sua cidade.Nesse novo lugar ele se reafirma, reencontrando a alegria e a dignidade de ser jumento. No entanto, a lembrança da avenida ainda o incomoda e, apesar do novo sentido, surgem algumas perguntas. O que fazer com a avenida? Será preciso parar o tráfego? O que fazer com o século XXI: não deveria ser transformado numa imensa Idade Média, onde jumentos pudessem passear confortavelmente? E a carroça, será preciso motorizá-la? Será necessário deixar de ser jumento e transformar-se em piloto de Fórmula 1 para impressionar na avenida?As respostas não são tão óbvias assim. E elas nos convidam a todos, jumentinhos da rua e da avenida, a um humilde trabalho de reflexão. Este artigo é uma pequena contribuição no participar desse mutirão de repensar para refazer a igreja na cidade do nosso século[2].
[1] adj. que é contrário à cronologia, que não é conforme aos costumes a aos usos de uma época.[2] Esse artigo foi escrito por: Marcos Adoniram Monteiro e se encontra na obra: STEUERNAGEL, Valdir (Org.) A Missão da Igreja. Missão Editora, Belo Horizonte, pp. 165,166.

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